domingo, 19 de maio de 2013

São Paulo tem menos áreas verdes do que recomenda a ONU


São Paulo tem menos áreas verdes do que recomenda a ONU. (Foto: Ivanildo Porto).
Raissa Lira

Conforme os dados da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de São Paulo a área verde da cidade é de apenas 2,6m² por habitante. Um índice muito abaixo do exigido pela ONU para uma boa qualidade do ar, que é 12m², ou pelo Ibama de 8m². Além disso, os parques estão espalhados de maneira desigual e muitos deles estão mal conservados.

Morando em São Paulo há cinco anos, a mineira Maiara Guimarães Sobreira, de 26 anos, sente muita falta de praticar atividades físicas ao ar livre e de manter um contato semanal com a natureza. A assistente contábil hoje reside na freguesia do ó, bairro localizado na zona norte da cidade, e sofre com as poucas opções de parques na localidade.

“Eu andava bastante de bicicleta, gostava de fazer caminhada ao ar livre, eram as coisas que eu fazia mais pra me distrair nos finais de semana. A vida era muito mais saudável. Eu fazia caminhadas, andava de bicicleta, que aqui é meio impossível fazer esse tipo de atividade. E hoje os parques mais próximos da minha casa estão depredados, vítimas de vandalismo, não são tão arborizados, não são tão limpos, organizados. É difícil valer a pena, mas pra tentar ter uma vida mais saudável às vezes a gente acaba indo mesmo assim”, contou Maiara.

E não é apenas a mineira que sente falta de cobertura vegetal na cidade. Segundo a Doutora em Ciências Botânicas e Diretora do Curso de Ciências Biológicas da Universidade Guarulhos, Margarida Pereira Fonseca, o crescimento desordenado, a ocupação imobiliária e a grande frota de veículos são os principais vilões da vegetação. “Todas essas áreas vão encolhendo pra dar espaço pros carros e prédios. Um terreno onde é uma residência, era uma chácara, onde tinha verde acaba se transformando. Um grande negócio imobiliário vem e quer fazer prédios. Então tem diminuído muito mesmo”, disse a doutora.

Além de serem poucas, as áreas de natureza são distribuídas de maneira desigual com uma concentração maior na Zona Sul e no extremo norte perto da Serra da Cantareira, que ocupa 7.960 equitares. As áreas da Zona Norte e Leste com urbanização muito densa são as mais carentes de vegetação. Para Margarida cuidar do verde parece que tem sido uma prioridade em São Paulo nos últimos anos. Embora a tendência seja que a situação melhore aos poucos, porque a preocupação é tardia e os custos altos.

A meta da prefeitura até a gestão do Secretario do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, que finalizou o seu mandato, em 2012, era implantar diversos parques espalhados pela capital. O diretor da Fundação Florestal de São Paulo, Cesaltino Silva Júnior, assegurou que a nova gestão da secretaria do meio ambiente e da secretaria do verde, irão dar continuidade com a implantação de pelo menos um parque em cada um dos 96 distritos. E que há também um processo de preservação das áreas verdes já existentes.

Atualmente, a área verde da cidade mais frequentada é o Parque do Ibirapuera, por ser o mais completo. Ele oferece aos visitantes parquinhos, quadras, ciclovia, pista de cooper, bosque de leituras, viveiro, escola de jardinagem, museu, planetário, espaço para eventos, um lago com várias espécies de peixes e abriga mais de cem tipos de aves. Mas vale lembrar que a cidade conta ainda com diversos outros parques, como o do Carmo, Vila Lobos, Guarapiranga, Anhanguera, Laions Club, Santa Amélia, Chico Mendes, São Domingos, Jardim Felicidade, Cidade de Toronto, Chácara Das Flores, Raul Seixas, Piqueri, Vila Guilherme, Vila dos Remédios, Luís Carlos Prestes, Raposo Tavares, Nabuco, Parque Lina E Paulo Raia, Severo Gomes e Buenos Aires, entre diversos outros.

Para conferir a lista completa basta acessar o site da prefeitura através do endereço www.prefeitura.sp.gov.br e acessar o ícone da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

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