Fotos: Raissa Lira
Os cidadãos demonstram apresentar consciência acerca do direito de se manifestar, pois 81,7% da população é favorável aos atos nas ruas. Mas para 91,5%, não é legítima a maneira do grupo se agir.
Adeptos da tática "black bloc", assumiram linha de frente das manifestações de Sete de Setembro, em São Paulo.
Somente 6% dos entrevistados afirmaram que apoiam a atuação dos manifestantes, que se dizem Black Blocs. Os que rejeitam o direito de manifestações somam 17,3%.
A pesquisa mostra ainda que as pessoas ouvidas estão bastante preocupadas com a violência no país, sendo que 95% delas disseram estar nessa situação. No estudo, 0,6% não souberam ou não responderam.
O instituto MDA perguntou aos entrevistados: "O (a) Sr. (a) apoia a ação dos chamados "mascarados" (black blocs) nas últimas manifestações de rua no Rio de Janeiro e São Paulo (manifestações mais violentas)?".
Foram ouvidas 2.005 pessoas, entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro, em 135 municípios de 21 unidades da federação. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Polícia lista suspeitos e defende linha dura contra black blocs
'Não há lei que segure os black blocs na Copa', diz promotor
Governo quer diálogo com grupo Black Bloc
ENTENDA O BLACK BLOC
Do inglês Black, negro; e Bloc, agrupamento de pessoas para uma ação conjunta ou propósito comum, é o nome dado a uma tática de ação direta, anarquista, caracterizada pela ação de mascarados e vestidos de preto.
Esses grupos são estruturas efêmeras, informais, não hierárquicas e descentralizadas. Unissem-se para confrontar a polícia, bem como atacar e destruir propriedades públicas e privadas.
As roupas e máscaras pretas, que dão nome ao grupo e à tática, visam garantir o anonimato dos indivíduos participantes, caracterizando-os, em conjunto, como um único e imenso bloco.
Black Blocs diferenciam-se de outros grupos anticapitalistas por frequentemente realizarem ataques à propriedade privada, como forma de chamar a atenção para sua oposição ao que consideram símbolos do capitalismo, às corporações multinacionais e aos governos que as apoiam.
Movimentação do grupo 'black bloc' surpreendeu sindicatos e policiais
Um exemplo desse tipo de ação foi à destruição das fachadas de lojas, escritórios e agência bancárias, em São Paulo e no Rio de Janeiro, que registraram diversos casos de durante as manifestações.
No começo desta semana, manifestações contra a morte de um adolescente por um policial militar terminaram em confronto, saques e vandalismo nas imediações da Rodovia Fernão Dias, em São Paulo.
O governo federal anunciou ação integrada com os governos dos dois estados para impedir violência em protestos. Mas até o momento ainda não entrou em vigor, pois os atos deram uma trégua.
Especialistas divergem sobre os Black Blocs
“São legítimas as reivindicações. O que não é legítimo é a baderna, os saques, os atos de violência que acabam manchando o movimento e provocando reação das forças policiais que tem por dever e obrigação conter excessos e vandalismo, para proteção de propriedades e cidadãos decentes que não devem ser atingidos”.
O relato do cientista político Marcos Antônio Silva sobre a ação do Black Bloc é o pensamento da maioria dos brasileiros, conforme a pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), que revela a reprovação da população referente aos atos do grupo.
Já a socióloga e antropóloga Ana Claudia Fernandes, acredita que a forma de manifestar do grupo mascarado é o mecanismo por meio do qual se alcança resultados.
“É a livre expressão de questões locais e nacionais. O povo precisa demonstrar capacidade de expressar suas dores de modo claro, a fim de qualificar o debate e plantar uma perspectica de mudança para melhor, sobretudo ao chamar a atenção de mandatários que, pelo visto, nunca demonstraram preocupação”, defende.
Suplicy causa revolta no plenário ao defender o Black Bloc
PM investiga abuso de agentes em protesto no Rio
0 comentários:
Postar um comentário