terça-feira, 7 de maio de 2013

Jogadores de várzea não recebem salários


Izabel Martins
São Paulo

Jogadores de várzea não recebem salários. (Foto: Divulgação)Os jogadores de futebol amador que disputam os campeonatos de várzea, não recebem seus salários em dinheiro, e sim de outra forma: com material de construção; quitação de dívidas em mercadinhos e padarias do bairro; serviços de consertos hidráulicos e pequenos reparos elétricos. Vivem no improviso e sem grandes patrocinadores.

Esta é a história de Enéias Pilão, 37 anos, centro avante de um time de várzea do Jardim Ângela, e de Ribério Pernambuco, 32 anos, atacante do time do mesmo time. Os dois começaram a jogar ainda garotos no time do bairro onde moram, na zona sul de São Paulo. Com o passar do tempo veio à ideia de fazer do time de moradores um time que pudesse competir com outros bairros. Então, surgiu o desafio de comprar uniformes, chuteiras, conseguir dinheiro para pagar as inscrições de campeonatos, transporte e uma caixinha para os jogadores. Foi aí que entrou o patrocínio dos comerciantes e vizinhos do bairro.

“O time era formado por amigos de pelada, ninguém tinha dinheiro para financiar nada. Quando a coisa cresceu a gente teve que pedir o apoio do pessoal do bairro. E até contratamos reforços, inclusive fui um dos contratados. Só que como não tinha dinheiro, me pagavam com tijolo, telha, cimento. A laje da minha casa construi graças ao futebol. É um sistema de troca bom, porque a gente faz o que sabe e eles dão o que podem”, contou Enéias.

Já o atacante do time do Jardim Ângela conta que seu sonho era ser um jogador profissional. “O meu sonho era ser um craque do Corinthians, ganhar muito dinheiro e dar uma casa para minha mãe nos jardins. O que eu consegui foi ser craque do time da vila e construi sim uma casa pra minha mãe, aqui no jardim Ângela. Com meu esforço ganhei tijolos e com ajuda da comunidade levantamos paredes e fizemos a casa”.

Questionados sobre o que os teria feito entrar neste mundo, ambos responderam que foi o prazer de jogar futebol e a vontade de ser profissional da bola. Para os novos jogadores a várzea pode oferecer mais que ofereceu a eles, porque a tendência é que os times de várzea comecem a investir em estrutura e na contratação de jogadores para competir em campeonatos que estão surgindo com grandes patrocinadores como a “Copa Kaiser” e o “Campeonato 9 de Julho”que trazem visibilidade aos clubes e atletas.

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